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Transporte fluvial de cargas e passageiros cresce no AM, mas aguarda melhorias

Considerado o meio de deslocamento mais correto em relação ao meio ambiente e capacidade, o transporte fluvial atende aos mais diversos aspectos econômicos do Amazonas. Isso porque a atividade concentra a maior parte da condução de cargas e passageiros da região. A estimativa é que por ano, aproximadamente 2,5 milhões de pessoas utilizem embarcações como meio de transporte e 1,5 milhão de tonelada de cargas gerais é deslocada no estado.  Para quem optar pelo serviço hidroviário, encontrará um leque de opções que evoluíram nos últimos anos, disse o vice-presidente do Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas), Claudomiro Carvalho Filho. Ele explicou que na questão de carga, que atualmente concentra cerca de 60% dos insumos e alimentos escoados na região, a locomoção é feita por grandes embarcações como balsas e navios. Já no transporte de passageiros, além dos barcos tradicionais tem as lanchas a jatos. "O transporte fluvial na região está bem servido, mais moderno e seguro e, o resto do Brasil vem descobrindo isso. Mas ainda falta melhorar a estrutura dos terminais para receber tanto os passageiros quanto as cargas", afirmou Claudomiro. O representante defendeu que o transporte é o meio mais barato e ecologicamente correto, mas acrescentou que para dispor de uma maior segurança no descolamento pelos rios da região é necessária uma sinalização.

 

"O fluvial é diferente do rodoviário porque não podemos atracar em qualquer lugar, tem que ter o local adequado para embarcar e desembarcar os passageiros e cargas com mais eficiência e segurança”, destacou. Com a expectativa da trafegabilidade da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, o representante acredita que a rodovia integrará ao serviço do setor no Amazonas. “Se isso acontecer será um sonho realizado e mesmo que a BR agilize o deslocamento de cargas e passageiros, caindo por exemplo, de três dias para um, também complementaria o transporte fluvial porque muita coisa continuaria a vir pelo rio", explicou Claudomiro.

 

Entraves Mesmo com a grande importância logística, segundo o vice-presidente, a navegação na região não possui uma legislação adequada e nem vem recebendo investimentos para o seu desenvolvimento. "Sabemos que boa parte da carga e produtos escoados de Manaus para o interior e de outras localidades para o nosso Estado passam pelo modo fluvial que carece de uma infraestrutura adequada. Para a realização da atividade é preciso termos rios navegáveis que ofereçam segurança para todos", disse.

 

Além das sinalizações adequadas que carecem de um projeto mais consistente, outros gargalos da atividade são a falta de infraestrutura na área portuária e dragagem em certos pontos do rio Madeira. "A estrutura portuária para atender quem usa o transporte diariamente é precária o que contribui para a insegurança e ineficiência do setor. Em relação a dragagem, a falta em determinados trechos compromete o tempo e volume na navegação" contou.

 

Segundo ele, inclusive, essa sempre é a grande dúvida do setor nos meses críticos de seca no rio. "Nunca sabemos como vai ser, porque quando a seca chega não adianta fazer nada. Mas este ano o governo federal fez licitação e já se tem a licença ambiental, esperamos que entre junho e julho a empresa escolhida faça a mobilização para realizar a dragagem de Porto Velho para baixo e que isso venha suprir a necessidade de se navegar melhor".

 

Na leitura do representante, a sociedade bem como o poder público precisam compreender a importância das vias por hidrovia da mesma maneira que valoriza o das estradas.

 

Principais portos de Manaus A estimativa do Sindarma é que 6 mil toneladas de cargas e 20 mil pessoas embarcam e desembarca por mês no Porto do São Raimundo. O local é de responsabilidade do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), que no mês passado, anunciou uma série de melhorias para o porto localizado na zona Oeste da capital. O órgão contratou a elaboração de projetos para fabricação, montagem e instalação de um cais flutuante e uma ponte de acesso ao terminal hidroviário. O investimento nos projetos está orçado em R$ 1,7 milhão.

 

Dentre as intervenções anunciadas estão adaptações no terminal de passageiros, além da construção de estacionamento e vias de acesso terrestre do pátio de manobras do retroporto. Claudomiro afirmou que o investimento é muito bem-vindo para o setor que transformará o porto em um terminal hidroviário para cargas e passageiros. Já no Porto da Ceasa que fica no Distrito Industrial, a estimativa é de 89 mil veículos embarcam e desembarcam nas balsas que operam no porto. O local possui diversas opções de deslocamentos tanto para carros quanto pessoas para acesso aos municípios de Autazes, Manaquiri, BR-319 Manaus/Porto Velho e Careiro da Várzea e Castanho. Referente ao Porto de Manaus (Roadway), aproximadamente 71 embarcações operam por mês, sendo que a maioria atraca no porto toda semana. A estimativa é a de que circulam aproximadamente 2.500 passageiros por dia no Porto Público de Manaus. Já mensal esse número chega a 75 mil passageiros.

 

Na Manaus Moderna não há levantamentos precisos do número de passageiros e embarcações que atracam nas balsas na orla. A estimativa que existe é que o local concentra 50% do embarque e desembarque de passageiros dos barcos recreio que chegam e saem da capital.

 

Saiba mais – Sindarma Há 82 anos o Sindarma tem atuado em prol do desenvolvimento da navegação, que é o principal modal de transporte de cargas e pessoas no Amazonas. A entidade sindical representa dezenas de empresas do setor. O sindicato atua junto ao Poder Público e a sociedade civil pelo crescimento do transporte hidroviário no Amazonas e Estados da região Norte do Brasil. Nos últimos anos articulou várias mobilizações para buscar resoluções para as fragilidades da navegação. Dentre elas, o combate à pirataria nos rios, a ampliação da segurança e das condições de navegabilidade a partir de dragagens e sinalizações náuticas. A reivindicação de combate as ações de criminosos nos rios da região foram intensificadas pelo sindicato em 2016. A entidade é uma das defensoras da PEC (proposta de emenda à Constituição), que prevê a criação da Polícia Hidroviária Federal. O novo grupamento ficaria responsável em coibir os crimes nos rios e lagos. A proposta tramita no Senado desde 2012. O presidente do Sindarma, Galdino Alencar Júnior, tem cobrado dos governos estadual e federal medidas para ampliar a segurança da navegação nos rios.


Reportagem: Hellen Miranda/Jornal do Commercio




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