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Seca histórica afeta transporte fluvial pelo Rio Madeira

A estiagem severa na região amazônica tem provocado uma redução histórica do nível do Rio Madeira, que banha os Estados do Amazonas e de Rondônia. Desde agosto deste ano, o nível estava oscilando entre 2,30 m e 2,60 m. No início de setembro, entretanto, chegou a 2,13 m. No ano passado, na mesma data, o Rio Madeira estava com 9,48 m. Essa já é considerada a maior seca da região desde 1967, quando a CPRM (Companhia de Pesquisas e Recursos Minerais) começou a fazer o acompanhamento dos rios da região. A falta de chuvas também é intensa.


Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o índice de precipitações de julho deste ano na cabeceira do Madeira foi o menor em seis anos: 10.30 mm. A média climatológica, na região, nesse período, é de 23 mm. Com o baixo nível das águas, embarcações estão reduzindo em cerca de 30% a capacidade de cargas transportadas para continuar navegando. Além disso, as dificuldades de navegação quase que dobraram o tempo de viagem de Manaus (AM) a Porto Velho (RO).


O Rio Madeira é um dos principais corredores logísticos do país e integra o Arco Norte – região que compreende os Estados de Rondônia, Amazonas, Amapá, Pará e segue até o Maranhão. Pela hidrovia do Madeira, ocorre o escoamento da produção agrícola, principalmente soja e milho de Mato Grosso e Rondônia, e insumos como combustíveis e fertilizantes, com destino a Porto Velho e Manaus, além de alimentos e produtos produzidos na Zona Franca de Manaus. O baixo nível do rio, contudo, tem gerado restrições para a navegação fluvial.


A Marinha do Brasil restringiu, desde julho, a navegação na hidrovia entre Porto Velho e Humaitá, no Amazonas. Com a decisão, houve suspensão da navegação noturna de comboios de embarcações em trecho do rio situado em Rondônia. A medida, sem previsão de revogação, foi determinada após inspetores navais verificarem pontos críticos onde o nível da água colocava em risco a navegação e reduzia as condições de navegabilidade. O transporte de cargas na região tem sido penalizado com a precariedade da via.


Segundo o Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas), o tempo de viagem no trajeto de Manaus a Porto Velho dobrou. Durante a cheia, ir de Manaus a Porto Velho dura em média quatro dias, mas, hoje, as balsas que transportam combustíveis, grãos e outros produtos estão navegando por até oito dias para cumprir o trajeto. No sentido oposto (Porto Velho - Manaus), o percurso que antes era de oitos dias passou para 15 dias. Diante desse cenário, de acordo com o presidente da Fenavega (Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária), Raimundo Holanda, a navegação de grãos no Madeira está paralisada há mais de um mês.


"Anualmente, são transportados 12 milhões de toneladas pela via. Por ela, passam os maiores comboios da navegação interior, chegando a 40 mil toneladas de grãos. Na seca, esses comboios só podem chegar a 7 mil toneladas, o que torna o negócio inviável", disse Holanda.


Sobre o transporte de derivados do petróleo, ele explica que, por ano, partem do Centro-Oeste, em direção ao Norte, aproximadamente 3 bilhões de litros. Por comboio, em média, são 9 milhões de litros. No entanto, atualmente, os comboios só podem navegar com até 3 milhões de litros. "Isso encareceu o modal hidroviário em mais de 10% em relação ao rodoviário", completou o presidente da Fenavega.


As condições de navegabilidade no rio nunca estiveram em situação tão crítica, na avaliação de Holanda. O presidente da Fenavega afirma que a via está completamente assoreada. Ele não atribui o problema apenas à falta de chuvas. "A inexistência da dragagem é o principal motivo desse problema. Não há investimento para navegarmos com segurança. O problema está na falta de investimentos pelo governo federal. Quem absorve o prejuízo são os armadores", disse Raimundo Holanda.


De acordo com Holanda, após a construção das represas de Santo Antônio e Girau, o rio perdeu muita força da sua corredeira, não transportando devidamente seus sedimentos. "O assoreamento é tamanho que há trechos em que o rio se assemelha aos Lençóis Maranhenses [região localizada no Nordeste e caracterizada pelos gigantescos bolsões de areia]. A cada ano, a situação se agrava", descreve.


Pelo menos sete cidades e cinco comunidades localizadas à beira do Rio Madeira estão prejudicadas por dificuldades no acesso por meio fluvial, dentre elas: Nova Olinda do Norte, Borba, Novo Aripuanã, Manicoré e Humaitá.


O presidente do Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas), Galdino Alencar Júnior, salienta que a solução para os efeitos negativos do período da seca seria a realização da dragagem nos pontos considerados críticos. Ele explica que o serviço é de competência do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). "Em Manicoré, as balsas petroleiras estão operando entre 30% e 40% da capacidade. As embarcações continuam não navegando à noite. O Sindarma tem ajudado com divulgação diária para as empresas de navegação sobre as condições do rio e nível, o que possibilita a programação de carregamento conforme o calado", explica Alencar Júnior.


Ele comenta que, apesar das dificuldades, ainda não há previsão de desabastecimento em Manaus nem de aumento do preço dos fretes. Os armadores, no entanto, têm contabilizado prejuízos. "Além de navegar abaixo da capacidade, quebra leme, arranca hélice. Eles trabalham tendo prejuízo na viagem", disse o presidente do Sindarma.


 O diretor de Infraestrutura Aquaviária do Dnit, Erick Medeiros, esclarece que o serviço de dragagem em pontos críticos do rio, que estava previsto para este ano, só deverá começar em 2017. "Somente agora foi homologado o resultado da licitação dos serviços de dragagem de pontos críticos na hidrovia. O Dnit vai investir R$ 69,5 milhões nos serviços, ao longo do trecho de 1.086 quilômetros entre Porto Velho e Itacoatiara (AM), durante cinco anos. O próximo passo é a elaboração e assinatura do contrato com a empresa vencedora, para posterior emissão da ordem de início dos serviços", disse Erick Medeiros.


Reportagem: Diego Gomes, Revista CNT




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